o penúltimo romântico.
domingo, 12 de maio de 2013
E se quiseres
terça-feira, 19 de março de 2013
A idade
sábado, 23 de fevereiro de 2013
Paciência
domingo, 26 de agosto de 2012
O Psicólogo
terça-feira, 17 de julho de 2012
Não disse nada
quarta-feira, 14 de março de 2012
Índios
- Mãe, hoje eu vi um índio na rua – relatou o filho com tom nervoso.
A mãe não entendia o motivo da aflição aparente e muito menos a abordagem do assunto.
- Querido, não tem índio na cidade, eles já foram embora faz tempo.
- Não, mamãe, é um povo diferente, estão em todos os lugares, e estão disfarçados, só se nota com um pequeno deslize seu.
A mãe achava aquilo tudo muito estranho, mas sabia que o menino era muito criativo e às vezes confundia as coisas, tanto o é que depois do susto inicial, parara de prestar atenção ao jovem e continuou seus afazeres. Ainda deu uma última ordem:
- Para de falar besteira e me passa o pano de prato pra mim secar a mão.
O filhou parou, estático, aterrorizado e por dentro de si só havia um pensamento que se repetia – Minha mãe é um índio. Minha mãe é um índio. Minha mãe é um índio. Minha mãe é um índio.
Não havia esperança.
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Bento
Bentinho queria pegar o vento, sentia-se intrigado pelo seu poder e pensou que se o tivesse seria o dono do universo. Perguntou, então, à sua mãe como se pega o vento, a mãe disse que o menino estava louco e lhe deu um safanão, vai brincar lá fora . Bentinho, entretanto não desistiu e foi falar com seu pai, o pai disse que o menino era maricas e deu-lhe um canga-leitão, filho meu não pega vento, pega mulher. Ora, bolas, o que havia de errado em querer o vento? Foi à escola e perguntou aos seus colegas se sabiam como pegar o vento, todos se entreolharam e começaram a gargalhar, menino estranho, esse Bento. Cada dia que passava sua empreitada via-se em xeque, só restava-lhe uma alternativa, procurar a fonte. Subiu na mangueira mais alta, lá tinha certeza que sentiria o vento, colocou o cocoruto na copa e viu que seus cabelos esvoaçavam e dançavam ao ritmo frenético da ventania. Fechou os olhos e esperou a próxima rajada, sentiu seu corpo a despegar-se do tronco e quando abriu os olhos, voava, imaginando que dominava os ares, mas não controlava o vento. E foi-se Bento.