“Ao analisar as possibilidades da
vida, quão difícil é, falando em termos estatísticos no que se refere às
relações humanas, encontrar um ser humano que satisfaça as necessidades básicas
de querer e carinho físico, assim como complete a necessidade emocional que
tanto afeta ao físico, ainda que de maneira pouco notória em um curto prazo. É
certo que a longo prazo o emocional abalado e a não completude de tais
necessidades começa a dar-se fisicamente. Assim, retomando a questão inicial
deste trabalho, quão difícil é encontrar um ser humano que satisfaça as
necessidades básicas de querer e carinho físico, assim como complete a
necessidade emocional? Dar-se-ão certas perguntas que não encontram respostas.
O certo é que o ser humano é um animal dependente de relações interpessoais e
que o isolamento completo é impossível uma vez que o homem sempre encontrará
uma maneira de relacionar-se com outro ser de mesma espécie, seja de maneira
saudável ou não. Com dados estatísticos, nota-se que o mundo atual conta com
pouco mais de sete bilhões de habitantes e estima-se uma razão de 1 homem para
1,5 mulheres. Isso se não levar-se em consideração o crescente homossexualismo
que emerge em progressão geométrica. Note-se que a crescente emersão se dá
devido à liberação de pensamento e não por que os seres humanos do novo século
tenham preferência por citado comportamento sexual. O ser humano é, de forma
geral, poligâmico, no entanto, devido à pressões culturais ocidentais
históricas, força-se o comportamento monogâmico, ainda que exista certa
resistência para aceitar tal proposição. Fazendo uma separação de gêneros,
nota-se uma maior tendência ao masculino em variar seu comportamento tendendo à
poligamia, enquanto trata-se da mulher como um ser predominantemente
monogâmico. Aqui chegamos a um ponto crucial, dado que não há separação
fisiológica entre os seres, estima-se que a mulher encare a monogamia como uma
imposição social bem aceita e por isso, sujeita-se ao comportamento proscrito.
Inicialmente, o ser humano relacionava-se de maneira muito similar aos animais
menos capacitados mentalmente, dado que via-se como tal. Ao passar dos anos
evolutivos, com a necessidade de armazenamento de bens materiais, o homem
enxergou a necessidade de deixar provisões para seus herdeiros, estipulando,
assim, a relação do casamento monogâmico. Deixemos, no entanto, a imposição
cultural de lado e tratemos o homem como um animal qualquer que apenas pensa
seus atos e não age de modo predominantemente instintivo: Não há sentimento que
dure para sempre em relação a duas pessoas que não pertencem ao mesmo âmbito
familiar. A família é uma imposição genética, o companheiro é uma escolha do
sujeito. Isso dito, o ser humano repensa diariamente suas escolhas e, porque
não, repensa suas relações quando não encontra meios de satisfazer suas
necessidades tanto físicas quanto emocionais. Aí morre o conceito de amor
eterno.”
O
doutor fecha o caderno de anotações e volta a pensar nela. Como poderá dizer
que tanto a quer e que não passa um minuto sem imaginar-se em seus braços respirando seu odor caloroso, aguardando
que apenas passem os anos e volte a vê-la, sem nunca questionar se era eterno.