Bentinho queria pegar o vento, sentia-se intrigado pelo seu poder e pensou que se o tivesse seria o dono do universo. Perguntou, então, à sua mãe como se pega o vento, a mãe disse que o menino estava louco e lhe deu um safanão, vai brincar lá fora . Bentinho, entretanto não desistiu e foi falar com seu pai, o pai disse que o menino era maricas e deu-lhe um canga-leitão, filho meu não pega vento, pega mulher. Ora, bolas, o que havia de errado em querer o vento? Foi à escola e perguntou aos seus colegas se sabiam como pegar o vento, todos se entreolharam e começaram a gargalhar, menino estranho, esse Bento. Cada dia que passava sua empreitada via-se em xeque, só restava-lhe uma alternativa, procurar a fonte. Subiu na mangueira mais alta, lá tinha certeza que sentiria o vento, colocou o cocoruto na copa e viu que seus cabelos esvoaçavam e dançavam ao ritmo frenético da ventania. Fechou os olhos e esperou a próxima rajada, sentiu seu corpo a despegar-se do tronco e quando abriu os olhos, voava, imaginando que dominava os ares, mas não controlava o vento. E foi-se Bento.
terça-feira, 30 de agosto de 2011
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Grito!
Ah! Este é meu grito interno exteriorizado em um papel, ou num protótipo deste, já que raros são os que em papel escrevem. Ah! Essa sociedade que evolui em décimos de segundos e espera que o corpo acompanhe o ritmo. Ah! Não consigo tirar minhas vontades terrenas de meu foco de pensamento, corpo, alma, teoriza-se, vive. Tão logo supro minhas necessidades fisiológicas, me fazem saltar ao topo da cadeia e querem que atenda àquelas de alto escalão, que mudariam o mundo. O mundo? Joguei-me neste poço, mas não faço parte desta balbúrdia, esquivar-me-ei até o último suspiro de meus pulmões acinzentados.
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