domingo, 26 de agosto de 2012

O Psicólogo



“Ao analisar as possibilidades da vida, quão difícil é, falando em termos estatísticos no que se refere às relações humanas, encontrar um ser humano que satisfaça as necessidades básicas de querer e carinho físico, assim como complete a necessidade emocional que tanto afeta ao físico, ainda que de maneira pouco notória em um curto prazo. É certo que a longo prazo o emocional abalado e a não completude de tais necessidades começa a dar-se fisicamente. Assim, retomando a questão inicial deste trabalho, quão difícil é encontrar um ser humano que satisfaça as necessidades básicas de querer e carinho físico, assim como complete a necessidade emocional? Dar-se-ão certas perguntas que não encontram respostas. O certo é que o ser humano é um animal dependente de relações interpessoais e que o isolamento completo é impossível uma vez que o homem sempre encontrará uma maneira de relacionar-se com outro ser de mesma espécie, seja de maneira saudável ou não. Com dados estatísticos, nota-se que o mundo atual conta com pouco mais de sete bilhões de habitantes e estima-se uma razão de 1 homem para 1,5 mulheres. Isso se não levar-se em consideração o crescente homossexualismo que emerge em progressão geométrica. Note-se que a crescente emersão se dá devido à liberação de pensamento e não por que os seres humanos do novo século tenham preferência por citado comportamento sexual. O ser humano é, de forma geral, poligâmico, no entanto, devido à pressões culturais ocidentais históricas, força-se o comportamento monogâmico, ainda que exista certa resistência para aceitar tal proposição. Fazendo uma separação de gêneros, nota-se uma maior tendência ao masculino em variar seu comportamento tendendo à poligamia, enquanto trata-se da mulher como um ser predominantemente monogâmico. Aqui chegamos a um ponto crucial, dado que não há separação fisiológica entre os seres, estima-se que a mulher encare a monogamia como uma imposição social bem aceita e por isso, sujeita-se ao comportamento proscrito. Inicialmente, o ser humano relacionava-se de maneira muito similar aos animais menos capacitados mentalmente, dado que via-se como tal. Ao passar dos anos evolutivos, com a necessidade de armazenamento de bens materiais, o homem enxergou a necessidade de deixar provisões para seus herdeiros, estipulando, assim, a relação do casamento monogâmico. Deixemos, no entanto, a imposição cultural de lado e tratemos o homem como um animal qualquer que apenas pensa seus atos e não age de modo predominantemente instintivo: Não há sentimento que dure para sempre em relação a duas pessoas que não pertencem ao mesmo âmbito familiar. A família é uma imposição genética, o companheiro é uma escolha do sujeito. Isso dito, o ser humano repensa diariamente suas escolhas e, porque não, repensa suas relações quando não encontra meios de satisfazer suas necessidades tanto físicas quanto emocionais. Aí morre o conceito de amor eterno.”

               O doutor fecha o caderno de anotações e volta a pensar nela. Como poderá dizer que tanto a quer e que não passa um minuto sem imaginar-se em seus braços respirando seu odor caloroso, aguardando que apenas passem os anos e volte a vê-la, sem nunca questionar se era eterno.