- Mãe, hoje eu vi um índio na rua – relatou o filho com tom nervoso.
A mãe não entendia o motivo da aflição aparente e muito menos a abordagem do assunto.
- Querido, não tem índio na cidade, eles já foram embora faz tempo.
- Não, mamãe, é um povo diferente, estão em todos os lugares, e estão disfarçados, só se nota com um pequeno deslize seu.
A mãe achava aquilo tudo muito estranho, mas sabia que o menino era muito criativo e às vezes confundia as coisas, tanto o é que depois do susto inicial, parara de prestar atenção ao jovem e continuou seus afazeres. Ainda deu uma última ordem:
- Para de falar besteira e me passa o pano de prato pra mim secar a mão.
O filhou parou, estático, aterrorizado e por dentro de si só havia um pensamento que se repetia – Minha mãe é um índio. Minha mãe é um índio. Minha mãe é um índio. Minha mãe é um índio.
Não havia esperança.