Sua chegada foi triunfal, não havia alma vivente que não a olhasse atentamente. Como um ser iluminado roubou a cena e atraiu mais do que simples holofotes, meu olhar não se cansava de se cruzar com o seu. E tão pronto os olhares se gastaram infinitamente a cada segundo, os lábios invejaram os olhos e se encontraram. E que belo sorriso dela apareceu, aquele sorriso que não mais do que de repente fazia-se meu. Sorria e desfazia-se o céu nublado, por mais chuvosa que fosse a noite, abria-se todo estrelado. Como se cada estrela fora sua, a cada piscar dos olhos cor de mel refletia-se a lua, mas, logo, prontamente, proferiu sua primeira palavra, melhor tivesse terminado em sua risada, mas quis continuar, e ao dizer mais do que três verbos, via-se o mundo inquieto, e da luz que proferia, nem fumaça, como uma vela de sete dias gasta, terminada pelo fogo, diminuiu-se e já não servia. Formoso vaso parnasiano, cheio de curvas e detalhes externos, de cuja essência sente-se falta. Dei-lhe, pois, o ultimato, que deixasse de profanar a língua, para que assim voltasse a luz do dia. Ficou sem entender e foi-se embora. Deixou-me enfim o silêncio, como o das bocas que cala ao passar. Lembro-me que talvez se chamasse Isadora, talvez fosse Isabela, mas me falha a memória, só me recordo do sorriso dela.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Falemos de outra coisa
As mulheres já não me inspiram, seus corpos revoltos, com voltas e curvas, deles não escrevo mais. Decreto o fim do amor, dele pouco se respira. Foi-me dada uma incumbência, desde mim para eu mesmo, e comigo me dispus a completá-la, sem versos de amor, nem amor para rimar. Se se excluem os temas eternos, melhor colocar-me um paletó negro, e por que não um terno? Como em Portugal se diz, visto-me um fato, e de fatos me cubro, reconto fatos e de fato não falo da vida. Veste-se negro e contam-se piadas de papagaio; no velório do amor solto gargalhadas. Engraçado como de fato o é, como com a morte vem a saudade, e se me cansei do amor, logo vem outra vontade.
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