quinta-feira, 21 de julho de 2011

Falemos de outra coisa

As mulheres já não me inspiram, seus corpos revoltos, com voltas e curvas, deles não escrevo mais. Decreto o fim do amor, dele pouco se respira. Foi-me dada uma incumbência, desde mim para eu mesmo, e comigo me dispus a completá-la, sem versos de amor, nem amor para rimar. Se se excluem os temas eternos, melhor colocar-me um paletó negro, e por que não um terno? Como em Portugal se diz, visto-me um fato, e de fatos me cubro, reconto fatos e de fato não falo da vida. Veste-se negro e contam-se piadas de papagaio; no velório do amor solto gargalhadas. Engraçado como de fato o é, como com a morte vem a saudade, e se me cansei do amor, logo vem outra vontade.

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