segunda-feira, 25 de julho de 2011

O Sorriso Dela

Sua chegada foi triunfal, não havia alma vivente que não a olhasse atentamente. Como um ser iluminado roubou a cena e atraiu mais do que simples holofotes, meu olhar não se cansava de se cruzar com o seu. E tão pronto os olhares se gastaram infinitamente a cada segundo, os lábios invejaram os olhos e se encontraram. E que belo sorriso dela apareceu, aquele sorriso que não mais do que de repente fazia-se meu. Sorria e desfazia-se o céu nublado, por mais chuvosa que fosse a noite, abria-se todo estrelado. Como se cada estrela fora sua, a cada piscar dos olhos cor de mel refletia-se a lua, mas, logo, prontamente, proferiu sua primeira palavra, melhor tivesse terminado em sua risada, mas quis continuar, e ao dizer mais do que três verbos, via-se o mundo inquieto, e da luz que proferia, nem fumaça, como uma vela de sete dias gasta, terminada pelo fogo, diminuiu-se e já não servia. Formoso vaso parnasiano, cheio de curvas e detalhes externos, de cuja essência sente-se falta. Dei-lhe, pois, o ultimato, que deixasse de profanar a língua, para que assim voltasse a luz do dia. Ficou sem entender e foi-se embora. Deixou-me enfim o silêncio, como o das bocas que cala ao passar. Lembro-me que talvez se chamasse Isadora, talvez fosse Isabela, mas me falha a memória, só me recordo do sorriso dela.

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