Enquanto tinha as mãos postas na cabeça, viajava interiormente, secando, a cada gota, uma lágrima que lhe ousava molhar a face. Fácil é julgar, entendemos se queremos. Ela não queria entender, afinal, tanto tempo havia se passado, e será que não havia se divertido uma noite sequer? Obvio que sim. Pensava, então, por que sofrer? Sofria porque queria, ninguém mais morria por ela. Em um estalo de sanidade deu um sorriso, era o fim que lhe tocava o peito e, sem medo do que por ventura viesse, deixou-o pra lá, virou-se de costas e abraçou o recomeço; sentaram-se lado a lado e conversaram, traçaram os planos futuros. O que resolveram? Na verdade não sei, mas, depois de alguns dias, lacrou a caixa do acabado, pesada de lágrimas, preparou uma nova caixa, sôfrega como ela só, pôs uma etiqueta azul com dizeres em letra de mão: felicidade.