domingo, 12 de maio de 2013

E se quiseres



E se quiseres

Dá-me a vida que no beijo te me doas.

Dá-me o riso que na boca te me soltas.

Dá-me o corpo que na pele se te nota.

Dá-mo todo, todo teu amor que dos olhos voa.

Que em toda a vida, todo beijo, sob a pele me ressoa

a batida que em meu peito por ti ecoa.

terça-feira, 19 de março de 2013

A idade




A cada ano que passa reclamo que estou velho e fico esperando a idade chegar. E ela não vem, fala que vem, mas não aparece, e fica nesse ficar ficando, sem nunca aparecer. Continuo vivendo minha vida e a idade só me engana, diz que fica pro jantar, mas nunca retorna minha ligação. Diz que vem no ano que vem, sempre, sopro as velas e nada dela aparecer. Diz que tem coisa pra fazer e que depois dá uma passadinha. E fica lá, toda tímida e teimosinha, teima em nunca me receber. Eis que aos poucos, sem que me dê conta, ela já passou e deixou um presente, sem nome nem remetente, mas eu sei que é dela. A idade bate à porta e quando dou por mim já levou meus anos emprestados, vai aumentando minha dívida com a vida, deixando-me mais perto da saída. Êta, bicha safada essa idade.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Paciência



Em meio aos lençóis surrados, uma guerra de carícias. Olho para o lado e vejo seu sorriso, escudo de uma fortaleza quase que impenetrável onde se guarda o coração. Busco uma entrada, um caminho secreto, mas sou descoberto pelo exército da incerteza sua que me expulsa ao passo das minhas investidas não certeiras. Sou repelido e atraído para perto de você, os pólos do seu magnetismo se confundem, você se confunde, eu te confundo. Deixo a luta irresoluta, avanço com minha milícia e meus guerrilheiros montam acampamento em torno seu. Você se protege e eu aguardo, levanto a bandeira da paciência e você torna a sorrir, seu escudo inquebrável que me conquista mais a cada dia. Nossa guerra sem feridos nem baixas, apenas contra o tempo e as incertezas, se prolonga enquanto houver você e eu em meio aos lençóis jogados.