Em cinco minutos percorri minha vida, e por alguns segundos isolei-me eternamente sob a sombra dos meus pensamentos. Pensei, guardado dentro de meus olhos está tudo o que vivi, mas como reviver aquilo que tão somente pensei? Ao final de cada linha recorro meus escritos e do lado esquerdo da página escapo-me de meus intuitos ao ver como percorre o negro do meu relógio esse ponteiro prata e amarelo, aquele imparável, incansável ponteiro prata e amarelo que marca os segundos, somando-se e deixando para trás o resto de vida que me sobra. Imerso em meus pensamentos o tempo passa soberano, juro que para mim passaram-se anos, tão somente escrevo estas linhas, com letra torta e caneta ao punho, um pouco démodé para os tempos atuais, contudo. Retorno à minha escritura e lembro-me que nunca soube por que escrevia, fosse ganas de esconder-me num centésimo de segundo, fora a saudade que sinto ao não poder alcançar-te com minha voz sequer. Mergulho entre meus pensamentos e te encontro parada, acenando-me com a mão esquerda, ou não, com seu sorriso de ponta a ponta da cara, e me encontro feliz. Dou-te um abraço e te beijo, sinto-me contente e nos eixos. Como um filme com final feliz a cena se apaga, acende-se a luz e a realidade retorna, traz-me a verdade que não pude encarar, não te tenho a meu lado e a saudade não para. Enquanto não te abraço de novo volto-me para dentro de mim e dali você não me escapa. Eternamente comigo, só em presença não mais.
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