terça-feira, 8 de junho de 2010

Liguei pra dizer que...

- Bom di...
- Oi, me escute, não fale nada, só deixe-me falar...
- Mas, espere...
- Não! Espere você! Sou eu quem vai falar, você já falou demais, já mentiu demais, agora é minha vez. Que eu não sou tudo que você sonhava, pode até ser, mas dizer que alguma vez te fiz sofrer, isso é demais, até pra mim que sou como um gelatina de tão mole! Foram dez anos de minha vida dedicados à sua pessoa e sua revelação repentina acabou com toda uma estrutura psicológica que vinha trabalhando desde quando sofri aquele trauma. Quanto poder depositei numa pessoa só! E você não soube cuidar, muito menos fazer bom uso dele. Não tem vergonha? Não te dá o mínimo de vergonha? Você não sabe a força que faço para te ligar e dizer tudo isso, quantas horas frente ao espelho, quantas lágrimas derramadas, por isso escute bem, eu te amo e só você amei.
- ...
- Agora você pode falar.
- Senhor, não sei com quem você quer falar, mas essa pessoa não sou eu e eu não te amo...
- Ah! Agora vai se fazer de desentendida, Agostina?
- Aqui é do açougue e não me chamo Agostina. No máximo posso dizer que sinto muito.
- Faz assim, então, me vê dois quilos de coração de frango e diz pra Agostina não me esquecer.

Um comentário:

  1. Pensei em rir , mas não ri.Pensei em ficar triste , mas não fiquei ...
    Um "tragicomico" ou "comitragico" ?Não consegui definir mas que faz sentido ... ahh isso faz !

    ResponderExcluir