sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Alguma coisa queria lembrar

Fico pensando com meus botões, por que é que a gente nunca esquece que esqueceu e, quando precisa, nunca lembra o que quer lembrar? Eu ia escrever alguma coisa, mas não lembro o que é. Sei que posso passar horas, dias, divagando sobre o esquecido e só aumentar a profundidade do meu esquecimento sobre o assunto inicialmente a ser tratado. Coisa louca, essa nossa cabeça. Tanto viajo por dentro dela que me perco, de tão profunda e abstrata a memória. Outro dia estava relembrando um evento nada importante da minha vida, mas que ficou gravado para sempre. Relembro fatos de quando tinha três, quatro anos, mas, aquilo que estudei sobre o Império Romano ou, então, o significado de psicossomática, não passa nem perto de minha língua. Disseram-me, pois, que é assim mesmo. Mas como pode ser? Que baita vergonha eu passo quando quero lembrar um nome de rua, ou, então, o porquê do acento agudo na palavra oxítona, essas coisas do dia-a-dia, sabem, e não me lembro. Pergunto-me se tudo o que aprendemos, de fato, far-nos-á alguma mudança. Reflitam, para que estudar o sistema circulatório das baratas? Se é que têm um. Tanta serventia tem na minha vida que nem me lembro. Por que não nos lembramos das coisas importantes? Aquilo que vejo todo dia, às vezes esqueço se penteei o cabelo ou se enxagüei o sovaco, mas nunca me esqueço que meu nome é Felipe e meu sobrenome, bom, meu sobrenome eu não me esqueço. Por que quando quero falar algo, me foge à mente aquela palavra chave, essencial ao contexto, e fico assim, mantendo o silêncio insuportável da dúvida e da vexação, claro, me sinto totalmente embaraçado por não saber. A ignorância é uma benção, dizem, para mim é um tormento, que tortura minh’alma. Pois é, não entendo, nem nunca vou entender essa tal de mente, esse famigerado cérebro, nem eu, nem ninguém, por completo, só o tempo. Engraçado, chego ao fim sem nada dizer, mas nunca esqueci uma palavra, que me perseguiu durante cada linha: ceroulas.

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