terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Do Mal Irremediável

Após um largo período sem postagens, volto com este conto que ficou entre os 100 melhores do concurso literário de contos curtos da editora "Via Literária" de Porto Seguro-BA


Do mal irremediável

Acho que isso acontece com todo mundo. Acho não, tenho certeza, é natural do ser. Aconteceu com meu pai, com minha avó, com minha tia, acontece. Comigo não podia ser diferente, em algum momento teria que chegar esse dia. E chegou. Sabe, tem gente que fica triste pelos demais, tem gente que disfarça, prefere a discrição, já eu não, trato abertamente. Quando as pessoas perceberem que é natural, vão parar de tratar isso como uma obsessão, um assunto a ser discutido com ressalvas, tem gente que até evita falar disso, e olha que desde que o mundo é mundo isso acontece com as pessoas, vai entender, tem gente que é assim. E, bem, eu estava no trabalho, com sono, e é mais comum desta forma do que se imagina, e veio, veio forte, não tive escolha, padeci. Deste mal não te salvarás, diria o pastor Reinaldo. Pois é, não me salvei e agora estou aqui para contar-lhes. Não bem onde eu queria, mas foi o único lugar que me restou. Tive que sair de mansinho para o chefe não me recriminar, mas ele que venha me falar alguma coisa, mando-lhe para aquele lugar. Eu bem que preferiria um banheirozinho mais confortável, como o da minha casa, mas eu não tive escolha, tinha que ser aqui. E lá vem outra.

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