quarta-feira, 28 de julho de 2010

Ano de Copa

O menino nasceu um dia depois da eliminação do Brasil pela França na Copa de 86. Não era lá uma geração muito ganhadora, aquela. Logo em 90, uma derrota triste, para o país que mais tememos perder, Argentina. Em 94, a glória, finalmente um título. Brasileiro que se preze tem que ver, ao menos uma vez, a seleção ser campeã do mundo. Uma sensação que se repetiria em 2002, mas pelo caminho temos a vergonha de 98. As pessoas, para mim, medem sua idade por Copas do Mundo. Quem viu a de 70, para mim, já é muito velho! O que dizer dos títulos anteriores? Meu pai tem 12 nas costas, um ser admirável. Eu só tenho seis. Hei de chegar lá, e, possivelmente, verei títulos que meu pai não verá. Gostaria muito de ter visto a seleção de 82, a derrota mais doída para todos, da melhor seleção dos últimos tempos. Bom, eu já acho que seleção boa é a que ganha, mas quem a viu provavelmente brigará comigo ao ouvir isso, tanto é que a de 70, pra mim, foi a melhor. Tinha Pelé. Acho que o que falta para o futebol de hoje é um Pelé, um jogador completo, um jogador comprometido com o futebol. Vejam bem, eu não ganho nada para correr por um campo durante 60 minutos (futebol amador é uma hora corrido), e mesmo assim jogo com vontade, com amor à camisa. Os bonitões ali ganham uma bolada e nada, suar a camisa? Pra quê? Mas, tudo bem, a gente vai continuar gostando de futebol, e quem não gosta se muda pros EUA, lá nem passam mesmo. Vão assistir beisebol, muito mais interessante, e vejam só, não tem tempo fixo, que esporte sensacional, não é mesmo? Talvez o basquete; para mim, é tão emocionante uma partida de basquete quanto uma partida de vôlei da terceira idade. Cada um com seus gostos, não é mesmo? Aqui sigo eu, com minhas Copas do Mundo, aguardando a cada quatro anos um feriado fora de época, porque no país do futebol é assim, dia de jogo, é dia de jogo, trabalhar, nem pensar! E se terminamos como campeões, bem! Se não, toca o trabalho de novo, ‘bora xingar o jogador que entregou a rapadura, porque agora eu tenho que voltar para a labuta, enquanto ele entra de férias na sua casa de campo em algum lugar do Rio de Janeiro. Ah, além de tudo tem eleição, quem se importa, afinal? O Brasil não levou a Copa.

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