Parte final do conto Leve Desapego. Parte1 - Parte2
A capital tomava forma por detrás dos morros, prédios, casas, ruas, carros... Não havia carros! A rua vazia, o ônibus avançava imponente, sem desafios, sem desafiantes, sem medo. Dirigia-se à rodoviária, vazia. Dipau sentiu um frio na espinha, olhava pela janela desde seu assento 23, não via sequer cães, nem pássaros, nem vendedores ambulantes. Não havia trânsito, não havia tumulto. Começou a recordar o porquê de sua viagem. Na verdade não tinha clara a idéia de mudar de vida, não recordava o que desencadeou sua partida. Sentia, entretanto uma tristeza ímpar em seu peito, algo que lhe fazia perder a respiração. Seus olhos pairavam sobre o nada, admirava o complexo rodoviário, cheio de escadas, cheio de passagens, portas, entradas, saídas. Imaginou quantas pessoas partiam e chegavam, quantas alegrias, quanta melancolia trazia aquele lugar. Levantou-se de sua poltrona, olhou ao redor e não via ninguém. Será que não notara que o ônibus partira levando apenas um passageiro? Não poderia ser tão distraído, talvez houvessem descido enquanto dormia. Dirigiu-se à cabine do motorista e, não o viu. Deu seus primeiros passos na maior cidade do estado, na capital. Por fim, agora conhecia, pouco, mas conhecia-a. Esperava que alguém retirasse suas malas do maleiro, mas não aparecia nenhum funcionário da empresa que o transportara. De repente o sol brilhou mais forte, o vento soprou com gana, pelas frestas da cobertura de zinco focos de luz se direcionavam a um ponto específico do terminal. Não se sabe como, nem de onde, mas ali surgiu a moça, aquela da infância, do sonho, aquela que fazia Dipau esmiuçar os pensamentos para recordar, mas não recordava. Ela estendeu-lhe a mão, e lhe disse docemente: “Vem, Roberto, estão te esperando”. Roberto Dipaula Silveira, filho de Jacó e Marta, 1980 – 2010.
A capital tomava forma por detrás dos morros, prédios, casas, ruas, carros... Não havia carros! A rua vazia, o ônibus avançava imponente, sem desafios, sem desafiantes, sem medo. Dirigia-se à rodoviária, vazia. Dipau sentiu um frio na espinha, olhava pela janela desde seu assento 23, não via sequer cães, nem pássaros, nem vendedores ambulantes. Não havia trânsito, não havia tumulto. Começou a recordar o porquê de sua viagem. Na verdade não tinha clara a idéia de mudar de vida, não recordava o que desencadeou sua partida. Sentia, entretanto uma tristeza ímpar em seu peito, algo que lhe fazia perder a respiração. Seus olhos pairavam sobre o nada, admirava o complexo rodoviário, cheio de escadas, cheio de passagens, portas, entradas, saídas. Imaginou quantas pessoas partiam e chegavam, quantas alegrias, quanta melancolia trazia aquele lugar. Levantou-se de sua poltrona, olhou ao redor e não via ninguém. Será que não notara que o ônibus partira levando apenas um passageiro? Não poderia ser tão distraído, talvez houvessem descido enquanto dormia. Dirigiu-se à cabine do motorista e, não o viu. Deu seus primeiros passos na maior cidade do estado, na capital. Por fim, agora conhecia, pouco, mas conhecia-a. Esperava que alguém retirasse suas malas do maleiro, mas não aparecia nenhum funcionário da empresa que o transportara. De repente o sol brilhou mais forte, o vento soprou com gana, pelas frestas da cobertura de zinco focos de luz se direcionavam a um ponto específico do terminal. Não se sabe como, nem de onde, mas ali surgiu a moça, aquela da infância, do sonho, aquela que fazia Dipau esmiuçar os pensamentos para recordar, mas não recordava. Ela estendeu-lhe a mão, e lhe disse docemente: “Vem, Roberto, estão te esperando”. Roberto Dipaula Silveira, filho de Jacó e Marta, 1980 – 2010.
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