quarta-feira, 12 de maio de 2010

Teoria da futilidade

Esta noite divaguei; melhor, divagarei. Há muito que não me sentava e divagava, se é que alguma vez havia feito isso, pelo menos com alguém que tivesse o que discordar de mim e derrubar minhas teorias pouco fundamentadas. Hoje até me senti sábio, é fácil ser sábio, sabido, estudado, no mundo, na sociedade de hoje. Fútil sociedade em que vivemos. A moda é ser fútil, um ser pensante não é incluído no meio dominante. Se você quer fazer parte, tem que deixar suas idéias pela metade Oh vida besta! Até esta noite eu queria ser fútil, seguir na mesmice inculta e retardante. Não que eu seja ‘o ser pensante’, mas conscientemente seleciono o meu conteúdo aparente pelo meio em que estou, e assim camuflo o que sou, me adapto, sou aceito. Até antes de me mudar dava graças a deus, com letra minúscula, porque não sou fútil e mais tarde me explico, que ia sair da cidade a qual hoje regresso com toda a felicidade. Tudo isso porque queria futilizar-me, deixar de lado a família, aquilo que marcou minha vida e faz parte do meu ser, meu cartão de visitas, minha formação como indivíduo. Hoje, percebo que sair daqui me ajudou, cresci, mas nunca neste mundo eu deveria ter pensado em me desprender dessa futilidade, dessa cidade. Parece que estou sendo contraditório, mas, resumidamente, para onde fui, não encontrei nada mais que a mesma futilidade presente em toda minha vida, e cá entre nós, para quê me esforçar para entender um mundo novo, que interiormente não passa de um mundo existente e conhecido, um lugar novo, com pensamentos envelhecidos. Sejamos claros, pensando preconceituosamente e servindo-me de estereótipos, saí de uma cidade pequena para outra cidade pequena, um campus com vida social, problemas, pessoas, ou seja, uma cidade com não mais de quatro mil habitantes, uma cidade pequena.

Mas não pense você que quando trato de futilidade, pensamentos minimalistas, ou falta de pensamentos, me refiro à cidade pequena. O mundo é o mesmo, vivemos na mesma época, e se tudo correr como indicam os marcadores, no futuro, e se alguém ler isso pode não entender, será pior. Pior? Me pergunto, usando um português coloquial, se pode piorar. Sim, claro que pode, vamos enumerar: Ainda não se acabou a água, ainda não vivi guerra, ainda não passei fome, ainda não perdi tudo, ainda não perdi meus pais, ainda não sofri nada. Sou a pessoa que mais reclama sem motivos, sou o mais exagerado, sou o que mais precisa de atenção. Ainda bem que reconheço; mas como dizia eu... Do que se trata este texto mesmo? Na verdade não tenho idéia, deve ser mera futilidade. Tudo o que nos faz perder tempo é fútil; descansar é fútil? Não nos faz perder tempo? Que pensamento mais inútil e desinformado. É claro que não, descansar é útil, recuperamos nossas forças para mais uma vez retomar a luta contra a futilidade que talvez possamos chamar de inutilidade. Não, nem tudo que é fútil é inútil, não é verdade? Não sei, realmente este não é o momento no qual queira discutir a semântica das palavras, nem mesmo a diferença de sentidos de uma frase. Espere aí! Já expliquei tudo, e ninguém nem percebeu.

Já tenho certeza que você não agüenta mais tantas frases sem nexo, na verdade eu nem sei o que acontece, não existe um motivo aparente que me faça escrever este texto, aparentemente não, mas existe. Gostaria de falar da sociedade de hoje, da sociedade do ano de 2010, que ousadia a minha, quanta petulância minha achar que este texto sobreviverá através do tempo. Mas como dizia eu, hoje meus olhos foram regados com esperança, e só não digo ‘abertos’ porque sou como um rei em terra de cegos, mas enfim, o que hoje descobri foi que o rumo de nossas vidas, o que seremos um dia, não será mais que uma peça do sistema, e sem grandes divagações e explicações, não mais do que já escrevi por hoje, por mais que pensemos, discutamos, reflitamos, serão horas desperdiçadas, digo, horas de sono, porque poderíamos poupar-nos do óbvio, pois, claro, somos seres pensantes e há muito tempo havíamos descoberto que não fazemos nada sozinhos e que convenções e grupos unidos por um ideal acabam por mudarem seu foco logo após sua primeira conquista significante, e que no final se convertem em reuniões sociais, buscando fundos para uma nova festa, que visa prestígio social e assim por diante. O sucesso corrompe a idéia principal, pois, claro, somos seres humanos, iguais nas idéias, queremos ser amados. Permita-me que eu ria desta minha última frase, não sou nenhum pregador, apenas analiso o que vivo e presencio. E, certamente, não estou retirando-me do meio, sou parte integrante desta sociedade e como tal me incluo e me critico, ciente e consciente.

Por fim, depois de desperdiçar mais algumas horas de sono, pois a vida cotidiana requer que eu me levante cedo, gostaria de expor minha última divagação. Não há nada de mais proveitoso do que sentar e conversar. Como queria que todas as pessoas pudessem se comunicar e dividir suas idéias e conhecimentos. Seria o mundo ideal, onde todos se entenderiam, tudo seria pacífico, monótono e sem ação. Não haveria futilidade e quem assim pensasse, pois compartilharíamos nossas experiências com prazer e dividiríamos o conhecimento sobre o que fizemos e vivemos. É verdade, não haveria o fútil nem o inútil, tudo seria proveitoso e partilhável, tudo seria feliz, não sei como imaginar mais, pois já se distancia e muito da realidade, na qual a felicidade de um depende do sofrimento e desgraça de outro. E disso bem entendemos.

Um comentário:

  1. Pois é cara... tenho 23 anos, mas como gostaria de ter essa juventude em outa década.As relações hoje são superficiais, ninguém procura mais conhecer ninguém.Poxa vida a internet não era p/ aproximar as pessoas ? por que cada dia que passa me vejo as pessoas mais distantes ? ISSO È FODA BICHO !!!

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