domingo, 15 de maio de 2011

Adeus

A água do chuveiro escorre lentamente pelo rosto, se confundem com as lágrimas e escorrem pelo corpo como a dor silenciosa da perda. Havia perdido o sentimento de bem-estar que o acompanhava há tanto tempo, tornara-se parte dele, num momento súbito foi-lhe arrancado do ser, como arranca-se a erva daninha do jardim mal cuidado. Dalí já não brotaria um botão sequer, não fosse a cobertura de cascalho que tapava o vazamento de amor de seu coração. No último abraço, a lembrança esfumaçada dos bons momentos fazia contrapeso na balança que pendia para o abismo da desesperança. No último carinho na face, um beijo que se despedia e encerrava o acordo secreto do querer eterno, para que adiante exista o nós dois. Trancado entre o peito e os pulmões fica o cheio grito que nega a vontade ambígua, das águas do chuveiro, que se misturam às lágrimas de adeus, esvaziado aos prantos.

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