Para a menina que nos inundava de brilho, sempre com seu sorriso jovial, aberto e reluzente, de felicidade interminável e carinhos inconsequentes, a alegria cessava por momentos. Terminava seu dia em prantos inacabáveis, fobias incontroláveis, quando ao menos esperar cruzava-lhe o caminho uma borboleta a farfalhar. E seu movimento caótico, que inspirava tormentas na Polinésia, instaurava o choro em seu profundo olhar. Ninguém entendia o porquê de tal desespero, muito menos como havia de temer criatura tão inocente. Fato é que de seu leve voo descordenado soavam palavras ao vento, que aos ouvidos frágeis da menina ocoavam e a sufocavam como um penoso relento. Passaram-se anos até que a menina pudesse controlar-se e ser forte, ao relatar que as borboletas traziam a morte, e quem não as temesse ao fundo da terra iria, ou que, por fim, nela já estaria. E falido intento o de cobrar-lhe explicações, as borboletas farfalhavam e a já moça ouvia o rugido dos trovões; até o dia em que uma das bem abusadas pousou-lhe ao ombro esquerdo, ao olhar se abeirava uma imagem conhecida, da pessoa que por muito tempo nunca deveria ter saido de sua vida. Meteu-se a sorrir como outrora, e a moça voltou a ser a menina que corria lá fora, nada mais que aquele sorriso jovial e luminoso bem mantido em nossa memória.
Nenhum comentário:
Postar um comentário