Tenho um cachecol de flores que ilumina o bater de asas das borboletas. Saio do meu quarto, à rua da minha casa, ao desfilar equilibrando-me no meio-fio, vejo um pavimento azul com faixas transversais dando o ritmo ao trânsito de charretes de porcelana. Cruzo todo o quarteirão com os braços estendidos na horizontal, buscando o ponto central que me equilibre na rotação da Terra. Quero correr e se me vão as roupas, encolhem, recolhem o vento, esticam, me ultrapassam, me cobrem. Corro devagar e ando acelerado, grito e não saem sons; vou devagarzinho à beira do mar de areia rosa, sob o por do sol me paro. Volto a caminhar. Acelero o passo ao chegar à esquina feita de tijolos de sabão e me deito sobre a cama de vitórias-régias que se formam no ribeirão à margem da minha cidade, que inventei num sonho e se apaga lentamente ao soar as primeiras notas do sol que ilumina meu travesseiro às primeiras horas da manhã.
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